terça-feira, 10 de maio de 2011

A força (ou lei) da atração

Está acontecendo um movimento curioso nos próximos dias. Pessoas do Ceará, há um tempo conhecidas, voltam a se reencontrar, morando no mesmo lugar, pelas bandas de cá, no Rio, e pelas bandas de lá, na Bahia. Precisar os motivos desse reencontro, em novas circunstâncias, não seria matemático. Toda uma história levou a esse fenômeno.

Um pensamento, por outro lado, leva a crer que vínculos outrora estabelecidos querem ter uma nova chance, exigem um outro fôlego. Sim, porque há anos atrás, lá no Ceará, éramos aqueles estudantes ainda sem tantos horizontes e com uma coragem ainda desconhecida. Hoje, vamos nos reencontrar para um novo jogo, com possibilidades de coroar damas que não se fizeram naquele tempo.

Acredito que só tornamos a ver pessoas que queremos bem. Querer bem é uma força de atração: se estimo alguém, esse alguém sentirá em mim algum sentimento bom, que fará com que exista entre nós uma boa troca, rendendo uma procura mútua pela presença um do outro. Sim, porque não é só o amor que atrai. Parceria, confiança, afinidade e trocas cultivam a atração.

Por isso, conterrâneo(a), não é a terra que nascemos que nos ligará novamente, mas a dinâmica de nossas boas relações iniciadas e bem guardadas. Assim sendo, conte comigo e sinta-se em casa.

domingo, 8 de maio de 2011

Memória musical

Principalmente aos domingos, cresci ouvindo música em casa. Meu pai que cuidava da discotecagem, em meio ao seu mundo de LPs. Sons que fazem parte do meu "acervo imaginário" herdado: Luiz Gonzaga, Agepê, Pinduca, Roberto Carlos, Noite Ilustrada, Ray Coniff, Noel Rosa, Roberta Miranda, Trio Irakitan, Martinho da Vila, Pixinguinha, Agnaldo Timóteo, muitos chorinhos, dentre outros.

Meu pai é daqueles que sempre gostou mais de ouvir. A música é dos seus prazeres mais característicos apesar de não tocar nenhum instrumento. E o clima das suas escolhas reverbera até hoje nos estalos da memória, levando-me sempre à atmosfera do meu lar cearense.

Domingo, dia das mães, ouvindo Pinduca.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Outro dia me perguntaram se era ariana (do signo de áries). Ora, ora, ora. Até que me identifico com algumas características do signo: praticidade, obstinação, confiança, dentre outras. Será que passei isso para essa pessoa ou passei outras coisas com as quais não me identifico? Agressão, impulsividade, despotismo?

Consulto sites de astrologias para tirar essas dúvidas. É interessante brincar de interpretar as pessoas pelos signos. Mas, claro, signos não são caixas que modulam personalidades. Determinismo astrológico não pode engessar a maior característica do ser humano: a mudança. E se pudéssemos assumir um signo por dia? Ou inventar mais e mais além dos doze que o zodíaco propõe?

Posso ter demonstrado um veia "ariana" naquele dia para uma pessoa. Mas para outra, posso ter sido uma exímia "libriana" ou "pisciana". Sei lá o que demonstrei para o mundo. O que interessa é que, se erram meu signo, é sinal de que não sou tão óbvia assim.
Amizade acontece. Não adianta forçar. Curiosamente, quando olho meu perfil de amigos, todos eles exercem papéis diferentes para mim, ou, em outras palavras, trazem à tona diferentes Elanes só existentes em suas presenças. Em todos, admiro alguma coisa: um jeito, um sorriso, uma habilidade, uma brincadeira, um abraço, dentre outras. Nenhum deles é completamente extrovertidos. De algum modo, há alguma reserva em cada um com a qual me identifico também.

Sair de casa foi decisivo para aprender a me virar melhor e, com isso, falar mais também. Falar, entretanto, não é uma necessidade perene. Só solto o verbo com alguém quando realmente me sinto bem para isso. Poderia medir esse grau de envolvimento em uma amizade pela quantidade/qualidade daquilo que falo. Uma vez reparei nisso. Falo mais e levo conversas de horas com quem me sinto melhor, segura e mais acolhida. Da mesma forma, um sinal de que o outro me conforta é quando ele não se incomoda com o meu silêncio e também eu com o dele.

Ainda bem, que para além de todo ego presente na academia e toda a novidade do contexto carioca, consigo ter amigos. Aqueles que podem falar e silenciar, também me fazendo silenciar e falar. Não adianta forçar. Amizade acontece.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Rotina

Já me falaram que é necessário ter rotina para sobreviver. E realmente, é. Os compromissos exercem sobre nós uma força seminal, já que, em função deles, aprendemos a ter prioridades, dividir o tempo, valorirar o tempo livre etc. Eles são professores que nos cobram todos os dias.

Por outro lado, a esperteza seria aliar rotina ao prazer, o que é bem difícil. Tenho o sentimento de que é facílimo os dias parecerem duros, maçantes, repetitivos. O segredo de encontrar prazer na repetição é que é complicado de desvendar. Até para isso, precisamos de algo que nos coloque para frente, bata em nossa cara e diga: vamos, ande e faça algo de diferente!

Sinto falta de fazer com os dias o que os montadores fazem com os filmes: tirar essa cena daqui e colocar no final, inserir aquele momento do meio no começo, expandir a duração de alguns acontecimentos, dentre outras falcatruas. A sequência inevitável do mundo "real" - do nascer ao pôr-do-sol, da segunda à sexta, do café ao jantar, por muitas vezes, leva-me a desejar escapar da sua rigidez e fazer tudo diferente, jogando a prova e a aula que tenho amanhã pelos ares. Meu lado racional, entretanto, entra em ação e diz: aquieta o facho!

domingo, 24 de abril de 2011

Pós-viagem...

Sei lá por que me bateu uma saudade enorme. Do que deixei, de todos os afetos, de abraço, de família, de lugares, de ares respirados. É como se tivesse sofrido um corte umbilical com um manancial de sentimentos bons. Resultado? Fossa.

Enraizar-se e não sentir a dor da saudade ou senti-la ao sair de perto das suas raízes na tentativa de encontrar possíveis outras? Nesse momento de fossa, reina na mente a pergunta: por que escolhi sair? Não teria uma opção menos conflitante?

Toda sua vida é posta em jogo: crenças, opções, planos, satisfações, abstinências, obrigações, valores, prazeres etc etc. Como a fossa tem água escura e turva, só vejo refletidas coisas negativas: tristeza, insatisfações, tormentos... Sentimento de que a escolha que fiz é errada e não se é feliz. A felicidade foi deixada para trás e é preciso dar a ré, tentando viver tudo de novo em câmera lenta, durando mais e mais.

Sede de vida, amor e abraço.

sábado, 2 de abril de 2011

Mães são (quase) todas iguais

Quando vejo uma mãe parecida com a minha, é como se ela tivesse do meu lado: com as mesmas preocupações, com as mesmas atitudes, com o vocabulário muito parecido, um amor e proteção incontestáveis pela prole. É tão prazeroso para elas ver os filhos bem que não se mede esforços em ajudá-los, afagá-los, agradá-los (até quando alguns filhos nem merecem). O sentimento materno é tão nobre que pode expandir sua atuação até mesmo com quem nem saiu do seu ventre.

Penso na minha mãe como o modelo de mãe. Tanto, que quando vejo mães que não parecem com a minha estranho um bocado... É como se agredissem e derrubassem toda a redoma de significados que minha mãe construiu para mim. Valores, cuidados, lições de moral, histórias... Tudo o que muitas vezes pode parecer excesso é, para os que não tem uma mãe com M maiúsculo, motivo de carência, decepção. Existem Mães e mães: as mães como a Minha e as mães que não fazem questão de exercer a maternidade, que não se resume ao ato de dar à luz, mas ao afeto, sentimento que independe de uma gestação no ventre.

Já tive uma tia que era como mãe para mim e ela nunca teve filhos. Veja só onde chega o sentimento maternal? Ser materno é ter o coração grande, querer ajudar, pensar no filho como alguém merecedor da sua atenção, do seu amor. "Mãe é bicho besta", minha mãe sempre fala. Acredito tanto nessa frase a ponto de estranhar todas as mães que não comportam nela. Posso afirmar que muitas mães passam longe da minha quando o assunto é sentimento materno, porém, não posso negar que, como a Minha, existem várias, com a mesma corujisse e bravura quando o assunto é seus filhos. Vejo minha mãe nessas mães e o sentimento é tão bom que o Ceará fica mais perto de mim.