Delay
Sinto-me cobrada por todos os lados. Inclusive por mim mesma. O que acontece quando cobranças me açoitam é que pareço não me mover. Ou, quando me movo, é como se descobrisse um prato para cobrir o outro. Não me dou muito bem com essas situações. Invento uma quinta ou sexta coisa para fazer que não seja do script.
Motivos de ordem pessoal perfuram suas atividades profissionais de tal forma que o retorno à normalidade cotidiana exige um esforço tremendo. A sensação é de delay. Pára tudo. Espera-se tudo. Ou não espera-se nada.
Semana parada para recomeçar na próxima. Será?
A viagem casa bem com essas situações. Marcada, se não quiser pagar mais para mudar, ela terá que acontecer. Ela impõe um limite, um prazo. Confio muito em prazo, data, pois ele não se move. E para que ele não nos pegue desprevinidos, precisamos nos mover. É sua lógica de funcionamento.
Tive conversas outro dia sobre os prazos que nos damos para planos. Ok, podemos dar prazos para tudo. Mas e para o que não está no script há prazo? Há limite para os desvios, as imprevisibilidades? Quando tudo está em delay, o que menos queremos é pensar no prazo. Queremos o prazer de não ter limite.
A carruagem anda, ora apressada, ora torta, ora lenta ou quase parada, até o ponto de chegada.
domingo, 19 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Medo de ir para Fortaleza
... e ver minha cidade abandonada
... e captar o desrespeito com seus cidadãos
... e entrar nos terminais que pararam no tempo
... e desviar as obras de um metrô que nunca se concluem
... e pisar na terra de descaso da Luizianne
... e entrar na maquinaria do mundinho Aldeota
... e me sentir num quadrado
Me queres de volta ou não, Fortaleza?
Enxota tuas mazelas!
... e ver minha cidade abandonada
... e captar o desrespeito com seus cidadãos
... e entrar nos terminais que pararam no tempo
... e desviar as obras de um metrô que nunca se concluem
... e pisar na terra de descaso da Luizianne
... e entrar na maquinaria do mundinho Aldeota
... e me sentir num quadrado
Me queres de volta ou não, Fortaleza?
Enxota tuas mazelas!
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Outro dia me falaram que estar na área de Comunicação torna nossa vida acadêmica mais divertida. Isso por quê? Porque nossos congressos nunca são enfadonhos, tem sempre alguém não deixando a gente dormir ao mostrar imagens ou mesmo ao falar bem, uma diversidade de temas sempre vai estar presente a ponto de você escolher se um interessa mais que outro, alguma afinidade sempre pode reinar na pluralidade em que se constitui nossa área.
Vou dar um exemplo. Meu namorado estuda mapas na internet. Eu estudo fotografia. Meu amigo estuda cinema. Com o primeiro, tenho afinidade quanto ao tema da cidade. Com o segundo, quanto ao tema da imagem. Isso nos rende parcerias e algumas trocas, o que torna a formação divertidíssima.
Amanhã vou ter que parar para ver filmes com o fim de escrever um artigo com o parceiro. Academizar fica até menos sério nesses moldes. Viva a Comunicação!
Vou dar um exemplo. Meu namorado estuda mapas na internet. Eu estudo fotografia. Meu amigo estuda cinema. Com o primeiro, tenho afinidade quanto ao tema da cidade. Com o segundo, quanto ao tema da imagem. Isso nos rende parcerias e algumas trocas, o que torna a formação divertidíssima.
Amanhã vou ter que parar para ver filmes com o fim de escrever um artigo com o parceiro. Academizar fica até menos sério nesses moldes. Viva a Comunicação!
sábado, 28 de maio de 2011
Vomitara uma cor rubra, vinho, açaí....
Não reconhecera o que saía de sua boca
Por alguns intantes, pensara: o que está podre por dentro?
Não previra qualquer ânsia, náusea, enjoo
Tomara o ônibus em baixo de chuva de volta para casa
Bebera regada a taças, queijos e conversas
O amarelo do bar se transformara
Não mais a retidão das mesas e balcões
Mas o olhar turvo e desconexo do lugar
Às 5h e poucas, pelas ruas de Copacabana
Náusea e alívio mesclados
O ônibus levara o vinho e seu fétido rubor
Não reconhecera o que saía de sua boca
Por alguns intantes, pensara: o que está podre por dentro?
Não previra qualquer ânsia, náusea, enjoo
Tomara o ônibus em baixo de chuva de volta para casa
Bebera regada a taças, queijos e conversas
O amarelo do bar se transformara
Não mais a retidão das mesas e balcões
Mas o olhar turvo e desconexo do lugar
Às 5h e poucas, pelas ruas de Copacabana
Náusea e alívio mesclados
O ônibus levara o vinho e seu fétido rubor
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Dois dias no Inhotim
Arte contemporânea, paisagismo, arquitetura são palavras que andam juntas no Inhotim (Centro de Arte Contemporânea em MG, no município de Brumadinho). O lugar é muito bonito, lúdico, com possibilidades de mergulho nas obras de artistas consagrados, assim como de refúgio dos ruídos que nos perseguem na cidade grande.
Fui sozinha para lá, em meio a um grupo de desconhecidos. Nunca mais tinha feito um passeio desses só, apenas com uma câmera à tiracolo. Foi bom por um lado e ruim por outro. Bom porque é sempre bom termos liberdade de fazer nosso próprio roteiro e ruim porque é legal conversar com alguém logo depois de experimentar um lugar como o Inhotim. São muitas expressões, sensações, desilusões, que as obras passam. Quando se sai de cada galeria, damos de cara com um jardim belíssimo ou uma paisagem maravilhosa, que, muitas vezes, nos leva para longe da obra e para perto de uma contemplação da natureza. Imergi nas obras e galerias que permitiram isso. Outras, levaram-me para fora em questão de minutos.
Valeu à pena, apesar de tudo, pois pude ficar sozinha entre os prazeres e as farpas do ambiente. A interdição de não fotografar nas galerias, que, mesmo com a câmera fechada, fazia com que monitores me perseguissem, não existia nas obras a céu aberto. Sentia-me mais leve para chegar em algumas delas e arriscar até autorretratos (coisa que nunca mais tinha feito). Nesses momentos é que pude perceber que, na ausência de companhia, inventamos uma para nós mesmos.
Arte contemporânea, paisagismo, arquitetura são palavras que andam juntas no Inhotim (Centro de Arte Contemporânea em MG, no município de Brumadinho). O lugar é muito bonito, lúdico, com possibilidades de mergulho nas obras de artistas consagrados, assim como de refúgio dos ruídos que nos perseguem na cidade grande.
Fui sozinha para lá, em meio a um grupo de desconhecidos. Nunca mais tinha feito um passeio desses só, apenas com uma câmera à tiracolo. Foi bom por um lado e ruim por outro. Bom porque é sempre bom termos liberdade de fazer nosso próprio roteiro e ruim porque é legal conversar com alguém logo depois de experimentar um lugar como o Inhotim. São muitas expressões, sensações, desilusões, que as obras passam. Quando se sai de cada galeria, damos de cara com um jardim belíssimo ou uma paisagem maravilhosa, que, muitas vezes, nos leva para longe da obra e para perto de uma contemplação da natureza. Imergi nas obras e galerias que permitiram isso. Outras, levaram-me para fora em questão de minutos.
Valeu à pena, apesar de tudo, pois pude ficar sozinha entre os prazeres e as farpas do ambiente. A interdição de não fotografar nas galerias, que, mesmo com a câmera fechada, fazia com que monitores me perseguissem, não existia nas obras a céu aberto. Sentia-me mais leve para chegar em algumas delas e arriscar até autorretratos (coisa que nunca mais tinha feito). Nesses momentos é que pude perceber que, na ausência de companhia, inventamos uma para nós mesmos.
domingo, 15 de maio de 2011
Adoro domingos. J'adore dimanches.
Domingos têm uma cor diferente. Parece que o sol te acorda sorrindo: e aí, vai ficar aí parado e dispensar essa energia que tô te dando? Depois que fico de pé, minha mente, depois do café de domingo, fica um frescor só: acelerada, cheia de ideias, vontade de estudar, de arrumar a casa, de produzir tudo o que não deu vontade na semana toda até sábado. Sair, aos domingos, só se for aquela programação imperdível ou leve, ao lado de alguém leve também. Porque domingo dura pouco e não merece ser disperdiçado. Domingo é dia de riscar checklists. Há muito o que fazer com os raios de energia que esse dia emana, apesar de, no final do dia, você ficar pensativo sobre o que deixou de fazer.
Todo o brilho desse dia se esvai depois das 18h. É hora que o sol te dá tchau e diz: babe, amanhã é segunda! Tchauzinho.
Domingos têm uma cor diferente. Parece que o sol te acorda sorrindo: e aí, vai ficar aí parado e dispensar essa energia que tô te dando? Depois que fico de pé, minha mente, depois do café de domingo, fica um frescor só: acelerada, cheia de ideias, vontade de estudar, de arrumar a casa, de produzir tudo o que não deu vontade na semana toda até sábado. Sair, aos domingos, só se for aquela programação imperdível ou leve, ao lado de alguém leve também. Porque domingo dura pouco e não merece ser disperdiçado. Domingo é dia de riscar checklists. Há muito o que fazer com os raios de energia que esse dia emana, apesar de, no final do dia, você ficar pensativo sobre o que deixou de fazer.
Todo o brilho desse dia se esvai depois das 18h. É hora que o sol te dá tchau e diz: babe, amanhã é segunda! Tchauzinho.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Questão de ordem é pensar tudo por etapas. Não dá pra pensar tudo ao mesmo mesmo tempo e agora e ainda querer se sair bem da confusão.
Os post-its na parede me alertam, utilmente, de que tenho a conta da segunda pra pagar antes de pensar no que vai dar a minha tese. Assim como emails me advertem de que tenho que respondê-los antes de se empilharem em cima dos textos e livros pra ler.
Planos pro próximo ano teimam em me colocar contra a parede. Há uma checklist de coisas menores, porém, pra dar conta antes de tentar resolvê-los. Eita nós!
Os post-its na parede me alertam, utilmente, de que tenho a conta da segunda pra pagar antes de pensar no que vai dar a minha tese. Assim como emails me advertem de que tenho que respondê-los antes de se empilharem em cima dos textos e livros pra ler.
Planos pro próximo ano teimam em me colocar contra a parede. Há uma checklist de coisas menores, porém, pra dar conta antes de tentar resolvê-los. Eita nós!
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