sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sobre as rotas

O taxista já traz tudo pronto. Os caminhos, as palavras ou os silêncios. As janelas abertas ou fechadas. A simpatia ou a cara sisuda.

O motorista de ônibus traz com ele um monte de gente. Traz barulhos de motor, movimentos bruscos, balanços de corpos. Propicia a diversidade.

O pedestre carrega consigo a velocidade própria. Passos lentos ou acelerados. O seu mundo e todo o seu redor. Ele escolhe a própria rota.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Bença, pai. Bença, mãe.

Há idiossincrasias embutidas nas "bênçãos" que peço. Pedir a "bença" é como um beijo na testa que recebo, beijo de proteção. Recebi isso durante toda a minha vida, ainda que pedir, às vezes, fosse uma obrigação que fazia à contragosto.

Mas pensando no sentido que carrego disso, tenho boas lembranças. Quando minha vó e minha tia chegavam lá em casa, não existia "oi". Era: "bença, vó? Bença, tia?". E as vozes lindas delas dizendo "Deus te abençoe, minha fia" até hoje ecoam dentro de mim com um bem-querer tão grande...

Hoje falo com minha mãe ou com meu pai no celular e sinto essa proteção boa do beijo na testa. Só há bem na "bença" que recebo. "Bença" isenta de coisas ruins. Meu sobrinho beija a mão da minha mãe e do meu pai quando pede a "bença" a eles. Ele pode não ver nenhum sentido nisso, mas, quando presencio, consigo ver nos avós todo o carinho sendo ali colocado. É disso que falo, de um sentimento ali entregue num simples ato.

Para além do religioso, a "bença" é bênção. Bem estou quando ela recebo, quando dela me ergo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Se produzíssimos um efeito de borrado a cada hora que olhamos no relógio, qual hora do dia, para você, estaria mais indiscernível?
Olho as 14h (ou o seu quase) sendo marcada no relógio quase sempre. É uma hora de quebra, ruptura, que me faz pensar em todo o resto do meu dia. Olhar a marcação do relógio tem esse efeito de racionalidade, de indício do que se tem para fazer. Borro a cada dia às 14h.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Hoje vejo pessoas jovens já tão velhas... Cansadas e tão medrosas... Me assusto com isso.
Pessoas recheando seus corpos de medos, desconfianças, desconfortos, negativismos, precauções excessivas, comodismos. Há medo de suar, de borrar a maquiagem, de levar mochila nas costas, de sentir dor ao puxar uma mala pesada, de andar alguns quilômetros, de pegar um ônibus, de atravessar uma ponte, de queimar a pele no sol, de andar numa rua desconhecida, de falar outra língua, de cair no chão e não se levantar. Eu não nasci pra esses medos. Me sinto muito bem em vencer todos eles. Corpo é pra gastar, meus caros. Um dia a gente vai sentir saudade dele.

domingo, 25 de setembro de 2011

Multidão, anonimato, diversidade, decadência, antiguidade, sujeira, impureza, descompasso, caos, heterogeneidade, imagens, rastros, dejetos, fragmentos, desordem, deslocamentos, animais, ruas, passagens, estranhamento.
Nada está no seu lugar.
Viver. Preciso sentir a carne de mundo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mais um dia cheio, mas com sopros para a tese. Papéis riscados, muitas ideias... Só preciso tomar um tempinho de distância para tentar entendê-las e ruminá-las melhor. O problema é que tempo não se tem.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nessa vida toda, tive uma sorte imensa de encontrar pessoas certas em momentos cruciais. Encontrei amigas simples em um colégio de freiras super caxias e cheio de meninas classe média de nariz em pé; encontrei companheiros agradabilíssimos de farras de adolescência; encontrei amigos inleligentes que puderam me fazer enxergar um lado mais rico desse mundão; encontrei um namorado bacana num momento já maduro da vida; encontrei aqueles que estimularam o que em mim era uma chama apagada, encontrei pessoas generosíssimas que me ofereceram a mão quando muito precisei; encontrei pessoas com quem dividi morada que quero carregar para a vida toda; encontrei parcerias em estudos com as quais aprendi muito; encontrei companheiros sensíveis com os quais levava conversas de horas a fio sem nem sentir o peso do tempo; encontrei ombros em que chorei; encontrei sorrisos que me levantaram; encontrei força para estar onde estou; encontrei um pouco de mim em tudo isso. Sorte imensa.