Sobre as rotas
O taxista já traz tudo pronto. Os caminhos, as palavras ou os silêncios. As janelas abertas ou fechadas. A simpatia ou a cara sisuda.
O motorista de ônibus traz com ele um monte de gente. Traz barulhos de motor, movimentos bruscos, balanços de corpos. Propicia a diversidade.
O pedestre carrega consigo a velocidade própria. Passos lentos ou acelerados. O seu mundo e todo o seu redor. Ele escolhe a própria rota.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Bença, pai. Bença, mãe.
Há idiossincrasias embutidas nas "bênçãos" que peço. Pedir a "bença" é como um beijo na testa que recebo, beijo de proteção. Recebi isso durante toda a minha vida, ainda que pedir, às vezes, fosse uma obrigação que fazia à contragosto.
Mas pensando no sentido que carrego disso, tenho boas lembranças. Quando minha vó e minha tia chegavam lá em casa, não existia "oi". Era: "bença, vó? Bença, tia?". E as vozes lindas delas dizendo "Deus te abençoe, minha fia" até hoje ecoam dentro de mim com um bem-querer tão grande...
Hoje falo com minha mãe ou com meu pai no celular e sinto essa proteção boa do beijo na testa. Só há bem na "bença" que recebo. "Bença" isenta de coisas ruins. Meu sobrinho beija a mão da minha mãe e do meu pai quando pede a "bença" a eles. Ele pode não ver nenhum sentido nisso, mas, quando presencio, consigo ver nos avós todo o carinho sendo ali colocado. É disso que falo, de um sentimento ali entregue num simples ato.
Para além do religioso, a "bença" é bênção. Bem estou quando ela recebo, quando dela me ergo.
Há idiossincrasias embutidas nas "bênçãos" que peço. Pedir a "bença" é como um beijo na testa que recebo, beijo de proteção. Recebi isso durante toda a minha vida, ainda que pedir, às vezes, fosse uma obrigação que fazia à contragosto.
Mas pensando no sentido que carrego disso, tenho boas lembranças. Quando minha vó e minha tia chegavam lá em casa, não existia "oi". Era: "bença, vó? Bença, tia?". E as vozes lindas delas dizendo "Deus te abençoe, minha fia" até hoje ecoam dentro de mim com um bem-querer tão grande...
Hoje falo com minha mãe ou com meu pai no celular e sinto essa proteção boa do beijo na testa. Só há bem na "bença" que recebo. "Bença" isenta de coisas ruins. Meu sobrinho beija a mão da minha mãe e do meu pai quando pede a "bença" a eles. Ele pode não ver nenhum sentido nisso, mas, quando presencio, consigo ver nos avós todo o carinho sendo ali colocado. É disso que falo, de um sentimento ali entregue num simples ato.
Para além do religioso, a "bença" é bênção. Bem estou quando ela recebo, quando dela me ergo.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Se produzíssimos um efeito de borrado a cada hora que olhamos no relógio, qual hora do dia, para você, estaria mais indiscernível?
Olho as 14h (ou o seu quase) sendo marcada no relógio quase sempre. É uma hora de quebra, ruptura, que me faz pensar em todo o resto do meu dia. Olhar a marcação do relógio tem esse efeito de racionalidade, de indício do que se tem para fazer. Borro a cada dia às 14h.
Olho as 14h (ou o seu quase) sendo marcada no relógio quase sempre. É uma hora de quebra, ruptura, que me faz pensar em todo o resto do meu dia. Olhar a marcação do relógio tem esse efeito de racionalidade, de indício do que se tem para fazer. Borro a cada dia às 14h.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Hoje vejo pessoas jovens já tão velhas... Cansadas e tão medrosas... Me assusto com isso.
Pessoas recheando seus corpos de medos, desconfianças, desconfortos, negativismos, precauções excessivas, comodismos. Há medo de suar, de borrar a maquiagem, de levar mochila nas costas, de sentir dor ao puxar uma mala pesada, de andar alguns quilômetros, de pegar um ônibus, de atravessar uma ponte, de queimar a pele no sol, de andar numa rua desconhecida, de falar outra língua, de cair no chão e não se levantar. Eu não nasci pra esses medos. Me sinto muito bem em vencer todos eles. Corpo é pra gastar, meus caros. Um dia a gente vai sentir saudade dele.
Pessoas recheando seus corpos de medos, desconfianças, desconfortos, negativismos, precauções excessivas, comodismos. Há medo de suar, de borrar a maquiagem, de levar mochila nas costas, de sentir dor ao puxar uma mala pesada, de andar alguns quilômetros, de pegar um ônibus, de atravessar uma ponte, de queimar a pele no sol, de andar numa rua desconhecida, de falar outra língua, de cair no chão e não se levantar. Eu não nasci pra esses medos. Me sinto muito bem em vencer todos eles. Corpo é pra gastar, meus caros. Um dia a gente vai sentir saudade dele.
domingo, 25 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Nessa vida toda, tive uma sorte imensa de encontrar pessoas certas em momentos cruciais. Encontrei amigas simples em um colégio de freiras super caxias e cheio de meninas classe média de nariz em pé; encontrei companheiros agradabilíssimos de farras de adolescência; encontrei amigos inleligentes que puderam me fazer enxergar um lado mais rico desse mundão; encontrei um namorado bacana num momento já maduro da vida; encontrei aqueles que estimularam o que em mim era uma chama apagada, encontrei pessoas generosíssimas que me ofereceram a mão quando muito precisei; encontrei pessoas com quem dividi morada que quero carregar para a vida toda; encontrei parcerias em estudos com as quais aprendi muito; encontrei companheiros sensíveis com os quais levava conversas de horas a fio sem nem sentir o peso do tempo; encontrei ombros em que chorei; encontrei sorrisos que me levantaram; encontrei força para estar onde estou; encontrei um pouco de mim em tudo isso. Sorte imensa.
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