domingo, 27 de novembro de 2011

Encontrar baianos fora da Bahia e sem ser no carnaval tem seus bons frutos.

sábado, 19 de novembro de 2011

Preciso dizer que fico muito muito muito acanhada em receber elogios. É como se eles nunca tivessem sendo dirigidos a mim, mas a outra pessoa que não corresponde a mim, mas usa meu corpo e meu nome para sê-la. Aí preciso ser a mediadora dos elogios porque eu, que sou eu, quando recebo algum, rio desconcertada e olho um pouco para o lado, como se repassasse o elogio para o invisível.

No meio acadêmico, principalmente, começamos a adquirir certos "carimbos" com os quais nos identificam. "Ah, ouvi falar que escreve bem" ou "Ah, fiquei interessada na sua pesquisa porque eu também me interesso pelo seu tema"... ou ainda "Ah, lembrei de você pois vi algo que pode te interessar". Ok, lembranças são bem vindas. O problema são os embaraços que elas provocam. O que realmente estou pesquisando? Que densidade acadêmica estou construindo? Que pensamentos saem do meu texto pelos quais quero ser lembrada? O que vêem no meu texto faz parte do que identifico de bom nele?

Percebo que estou num lugar no qual tenho uma grande interlocução e onde construiria, talvez, uma imagem intelectual da qual me aproximaria mais e até me faria fundir àquela que recebe os elogios. O que sinto, no entanto, é que ainda repasso toda a apreciação que me é destinada àquela que está às minhas costas.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Quando se digita, a solidão parece que fica mais leve". Li essa frase numa entrevista com Fausto Fawcett, o homem que escreve sobre Copacabana. A frase, por sinal, faz todo o sentido no tempo em que as teclas e telas acalentam os solitários.

Curiosamente, afetada por um efeito de resistência, escrevi um pequeno postal esses dias e mandei a uma pessoa querida. Tinta, caligrafia, inclinações e pequenos borrões foram enviados para longe, justamente como forma de tornar mais acolhedoras as palavras e uma série de sentimentos. As letras ao padrão da mão e as expressões afetivas no traço da caneta pretendem, ainda que não obtenham sucesso, guardar alguma reverberação do momento da escrita.

O destinatário da palavra escrita é alvo de um exercício sofisticado de sentidos: manusear o objeto escrito, entrar no ritmo irregular das letras, pôr a locução do escritor em off - como se percebesse cada vírgula como uma respiração característica dele, ler as entrelinhas possíveis.

É no engano ou na lucidez de meus próprios sentidos que esse rebater de ideias quer aqui ser ouvido.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um dia, um amigo leu num livro que meu dia de nascimento era o dia do mensageiro. Num dia muito importante para ele, eu lhe dei uma ótima notícia. Notícia que mudou a sua vida.
No momento, realizo mais uma vez a missão de mensageira. Desejando que ela mude vidas também.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Em que unidade você pensa o tempo?
Páginas lidas
Textos escritos
Salários recebidos
Diplomas conquistados
Línguas faladas
Conversas tidas
Alegrias vividas
Tristezas sofridas
Cabelos brancos
Pessoas amadas
Lugares conhecidos
Imagens registradas
Velas apagadas
?

O tempo não mede sua própria mensura.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

No fundo sou igual aos outros, bem igualzinha aos outros. Busco sensações parecidas, tenho ilusões e sentimentos semelhantes, altos e baixos de qualquer existência humana.

É carne.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Voltar pra casa exige um equilíbrio enorme: pra não parecer muito adulto, pra não parecer inquieto, desambientado; pra ver o que permanece numa velocidade ambiente e que, talvez, corra atrás ou à frente da sua; pra aproveitar as pessoas com a qualidade que elas merecem; pra botar ordem em tudo o que está esperando por você e tudo o que continuará esperando, seja em matéria ou em sentimentos; pra encarar sua divisão em vários - o de antes, o de agora, o de depois, o daqui, o de lá, o de não sei mais.
Vou pra encontrar também um pouco de calma, de deslocamento daqui e do agora. É como se tivesse fazendo a viagem pra serra de que tanto precisava nos últimos tempos. E lá ouvir mais sons de pássaro e menos sons de vizinho. Outro tempo, um break no mundo de expectativas que trago nas costas.