Sobre estabilidade etc.
Refletindo sobre a opção de uma amiga de não querer ter uma "vida estável" no momento, pego-me, agora, devaneando sobre a minha "estabilidade" e os meus desejos.
Não me considero muito ambiciosa, no sentido financeiro. Levo tranquilamente, no momento, uma vida de estudante e tenho problemas quando me perguntam o que quero fazer daqui a 2 anos, ou depois do doutorado, ou daqui para os 30 anos etc. Não sei. Tenho desejos que pairam, como nuvens sobre a cabeça, sem definições precisas. Meu desejo mais "estável" de todos é que, num futuro próximo ou longínquo, quero um puta emprego (federal, de preferência), para que satisfação e dinheiro não sejam problemas, mas, antes disso, quero fazer muita coisa que uma vida de "instabilidade" me favorece: viajar, botar mochila nas costas, aprender línguas, conhecer pessoas diferentes, lugares diferentes, trocar experiências, fazer laços etc.
A cidade onde estou agora tem me proporcionado muito dessas coisas, porém seria exagero dizer que dela não quero mais sair. A vida itinerante me atrai e, consequentemente, o desraizamento e o inusitado. Não sei a que veia desbravadora da família puxei, mas o fato é que necessito do "novo" e ele, nem sempre, é "estável". Também seria um excesso afirmar que sou uma porra-louca, que não planeja o próximo passo que dá, nem pensa nos outros à sua volta. Penso muito até. Não corto minhas asas, todavia. O grau de "estabilidade" que desgosto é o que nos impede de perseguir sonhos, grandes vontades. Uso o adjetivo "grandes" como forma de dizer que nem toda vontade precisa ser seguida, mas apenas aquelas que estão na espinha dorsal do que se quer da vida. Nesse sentido, considero que sou diferente das minhas amigas mais "porra-loucas". Me identifico com o que poderia chamar de "instável minimanente estável", que leva em consideração o como/o quê/o porquê. Elas desconsiderariam o "como" e o "porquê" facilmente em nome da emoção, do sentimento, do desejo simplesmente.
A "estabilidade", muitas vezes, pode ser pensada de uma forma menos exigente, sem prazo para acontecer, mas também sem o medo de que se tranforme em monotonia. O que me agrada na vida estudantil é poder estar realizando ela agora, em plena juventude, no vigor das virtualizações de futuro. Sem deixar de desejar "estabilidade" (aquela... sem data ainda para ocorrer), vou vivendo o "agora" do meu jeitinho.
sexta-feira, 18 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
A ti, que me fazes falta
Não venhas, agora, exigir-te uma face madura, bem encorpada. Tua textura áspera e sedutora se rendeu à crueldade da lâmina. Não há mais nada que possas fazer, a não ser pedir que o tempo seja benevolente com tuas raízes e que te faça crescer rapidamente, de espinhos a pêlos robustos.
Espero que, em tua nova versão, querida barba, tu não percas teu lado sedutor, de falas recônditas. Renasças para ficar.
p.s.: nada como rememorar textos antigos. Escrito em 2007.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Comentários sobre a tal Lotus Flower do Radiohead
Quem me conhece sabe que levanto bandeira por poucas bandas. Em matéria de música, sou de lua: tem dia que gosto de ouvir essa, no outro aquela, no seguinte aquela outra. Música é completamente vinculada ao humor do momento. Confesso que, em alguns dias, gosto de ouvir sonoridades que me levem para lugares distantes e improváveis, que tocam no corpo e nos levam para fora dele. Nesse sentido, muito me agrada a pegada do Radiohead.
Fui conferir a nova "Lotus Flower" do Radiohead, de maneira cuidadosa, para que as opiniões não influenciassem minha fruição: primeiro ouvi o som, depois o clipe e depois alguma crítica que rolou na internet. Esse foi o meu método e o adotei porque já passei a odiar de cara um cd de uma banda de que gosto muito por ser erroneamente invadida pela reprodução ininterrupta de uma faixa. Dava náusea (e raiva) só de ouvir a voz da companheira de trabalho cantarolando.
Vamos por partes. O som de "Lotus Flower": não é a identidade que adotei para gostar no Radiohead. Não me parece ter intensidade, a dramaticidade que gosto como em "Street spirit" ou "Karma police" (o veelho Radiohead). Ela é "sem sal", como diria os hipertensos, e "sem pimenta", como diria os não-baianos. Certamente, depois que o cd for lançado, essa será uma das faixas puladas, pois ela não me faz decolar. A batidinha repetitiva que perdura no fundo não surpreende, não se transforma ou não é ferida por outra arrancada do som. O que a afeta são apenas as suas breves paradinhas ao longo da música. Senti falta de algo mais visceral.
O clipe: concordo com Jacaré (JACARÉ, 2011), ao dizer que Thom Yorke dramatiza bem os "movimentos intuitivos" da música. O resultado, porém, é estranho, parece que um santo baixa no cara... O vocalista tem toda liberdade para expressar o modo como sente o som, ao fazer o corpo mover-se aleatoriamente, mas não forçaria a barra dizendo que isso é bonito de ver. À excessão dos momentos de contraluz do início, que me lembrou MJ e também trouxe um ar de personagem misterioso. A fotografia, sim, é muito bonita. O preto e branco suaviza a imagem, não deixando a dança mais "estranha" ainda ao acompanharmos o clipe. Os melhores momentos são os de close, em que a barba (tentadora, diga-se de passagem) de Yorke toma o quadro. Uh!
Enfim, os que concordam que me citem e os que discordam que me rasguem.
Quem me conhece sabe que levanto bandeira por poucas bandas. Em matéria de música, sou de lua: tem dia que gosto de ouvir essa, no outro aquela, no seguinte aquela outra. Música é completamente vinculada ao humor do momento. Confesso que, em alguns dias, gosto de ouvir sonoridades que me levem para lugares distantes e improváveis, que tocam no corpo e nos levam para fora dele. Nesse sentido, muito me agrada a pegada do Radiohead.
Fui conferir a nova "Lotus Flower" do Radiohead, de maneira cuidadosa, para que as opiniões não influenciassem minha fruição: primeiro ouvi o som, depois o clipe e depois alguma crítica que rolou na internet. Esse foi o meu método e o adotei porque já passei a odiar de cara um cd de uma banda de que gosto muito por ser erroneamente invadida pela reprodução ininterrupta de uma faixa. Dava náusea (e raiva) só de ouvir a voz da companheira de trabalho cantarolando.
Vamos por partes. O som de "Lotus Flower": não é a identidade que adotei para gostar no Radiohead. Não me parece ter intensidade, a dramaticidade que gosto como em "Street spirit" ou "Karma police" (o veelho Radiohead). Ela é "sem sal", como diria os hipertensos, e "sem pimenta", como diria os não-baianos. Certamente, depois que o cd for lançado, essa será uma das faixas puladas, pois ela não me faz decolar. A batidinha repetitiva que perdura no fundo não surpreende, não se transforma ou não é ferida por outra arrancada do som. O que a afeta são apenas as suas breves paradinhas ao longo da música. Senti falta de algo mais visceral.
O clipe: concordo com Jacaré (JACARÉ, 2011), ao dizer que Thom Yorke dramatiza bem os "movimentos intuitivos" da música. O resultado, porém, é estranho, parece que um santo baixa no cara... O vocalista tem toda liberdade para expressar o modo como sente o som, ao fazer o corpo mover-se aleatoriamente, mas não forçaria a barra dizendo que isso é bonito de ver. À excessão dos momentos de contraluz do início, que me lembrou MJ e também trouxe um ar de personagem misterioso. A fotografia, sim, é muito bonita. O preto e branco suaviza a imagem, não deixando a dança mais "estranha" ainda ao acompanharmos o clipe. Os melhores momentos são os de close, em que a barba (tentadora, diga-se de passagem) de Yorke toma o quadro. Uh!
Enfim, os que concordam que me citem e os que discordam que me rasguem.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Escrevi o primeiro parágrafo. Pronto. Apertei o start, dei início. Não fosse as dores que me levam a esse começo, diria que ele me levaria longe. Mas começo e paro... digna de quem tem a intermitência de uma luz prestes a falhar pelo desejo de clarear outro lugar.
Ontem fiz uma sopa de feijão, numa parada entre uma coisa e outra. Dela muitos comeram e foi delicioso proporcionar isso. São pequenos prazeres que temos em momentos intermitentes.
Ontem fiz uma sopa de feijão, numa parada entre uma coisa e outra. Dela muitos comeram e foi delicioso proporcionar isso. São pequenos prazeres que temos em momentos intermitentes.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
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