"Eu tenho a sensação de que tudo o que eu falo é desinteressante". Essa é uma das frases que, na academia, na atual conjuntura, faz muito sentido pra mim. Não vou expor a autoria, mas essas palavras sairiam também da minha boca por pensar da mesma maneira.
Ponderemos esse "tudo": ele se trata daquilo que produzimos enquanto conhecimento (enquanto "pesquisa" de utilidade pública) e que parece ser tão frágil - pra não dizer "óbvio" - a ponto de não estabelecer qualquer relação de empatia com os ouvintes/leitores/interessados.
"Desinteressante": esse adjetivo qualifica muito bem a nossa "cara de paspalho" ou "sorrisos amarelos" nos congressos ou exposições públicas das nossas produções. Será que aquela meia dúzia de ouvintes se interessa por isso? E aquela mulher lá atrás que me olha fransindo a testa? E a outra que me encara mascando chiclete e balança inquietantemente as pernas? Boring, so boring your speech.
Em pontuais situações, para nossa surpresa, conseguimos acalorar discussões bastante "interessantes" sobre nossa fala. Em outras, passamos despercebidos. Curioso é que, mesmo na possibilidade de vivenciar entusiasticamente nossas falas, a disposição pré-discurso é, na maior parte das vezes, bem pessimista. Isso é o que acontece comigo e com a autora da frase. Tenho fé, porém, que essa história mude.
Um comentário:
Sairia da minha boca também. A história muda, porém, porque se trata de um cultivo. Legal é pensar que, quando terceiros se interessarem por aquilo que dizemos hoje - passado, portanto -, já estaremos interessados em outras coisas. Uma eterna corrida...
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