sábado, 5 de março de 2011

A ti, que me fazes falta

Não, não me venhas falar sobre o porquê de não existires mais. Depois que fostes, fica tudo muito à mostra... lábios, maçãs do rosto, queixo... tudo parece falar mais do que deve. Lábio superior perde a carapuça, queixo perde a moldura, maçãs ficam sem casca. Em todos esses anos, sabias que me agradavas por demais. No entanto, trataste de dar-me adeus em um sábado comum, semana depois de ir dar-te um trato merecido na barbearia.

Não venhas, agora, exigir-te uma face madura, bem encorpada. Tua textura áspera e sedutora se rendeu à crueldade da lâmina. Não há mais nada que possas fazer, a não ser pedir que o tempo seja benevolente com tuas raízes e que te faça crescer rapidamente, de espinhos a pêlos robustos.

Espero que, em tua nova versão, querida barba, tu não percas teu lado sedutor, de falas recônditas. Renasças para ficar.

p.s.: nada como rememorar textos antigos. Escrito em 2007.

Nenhum comentário: