segunda-feira, 27 de junho de 2011

Algumas, do Rio para cá

- Amo pegar o Real Alvorada para o aeroporto internacional. É uma recompensa pelo estresse de arrumar malas. Nele, a agitação dá lugar a uma calma, uma respiração tranquila. Ver o Rio pela janela, sem nenhum propósito, sem ter que aturar um taxista chato, é um presente impagável antes levantar voo. A cada vez que pego esse ônibus, o tempo que passo nele conforta minha alma. É um intervalo de tempo para pensar em tudo que eu queira, respirar fundo, sentada, confortavelmente, à companhia dos seus pensamentos e da cidade que passa na janela.

- Ver as cidades iluminadas lá de cima, do avião, me faz pensar em figuras que poderiam ser tatuadas no corpo. Cada forma bonita...

- Reconhecer a Lagoa, o Ginásio da Parangaba, as casinhas de Fortaleza perto de pousar é como adentrar em uma maquete do conhecido. A sensação de conhecer, lembrar, é tão boa como a de nada conhecer e querer explorar. Viajar é bom por isso. É colecionar pedacinhos do conhecido desse mundão afora que enxergamos lá de cima.

- Em casa, sou recebida com o carinho e atenção de sempre. Tenho pais maravilhosos, um quarto sempre arrumado e confortável para me receber. Sempre volto diferente, no entanto. Tenho me achado bem mais falante, por exemplo. Ao mesmo tempo, tento ver no que mudaram os que estão ao meu redor.

- Meu sobrinho, que fez ontem 7 anos, está cada vez mais esperto. É bom estar com ele, embora esteja revestido de alguns mimos e fique chato às vezes. É bacana vê-lo empregar o plural corretamente, saber que está, no sentido literal do termo, aprendendo. Além de, claro, continuar sendo uma criança muito divertida (quando quer).

- Algumas pessoas da família vêm me pedir dicas de viagem e falam sobre mim, meu livro etc. Eles me olham estranhos ao me ver tomando cerveja, ao mesmo tempo que eu mesma me estranho fazendo aquilo em família. É, eu tomo cerveja de vez em quando. No Rio também. Resolvi tomar ontem e ponto.

- Vejo meus pais com suas idiossincrasias - algumas aumentadas, outras inalteradas. Meu pai mais magro e paradão. Minha mãe, mais gorda, agitada como sempre. Sinto-os mais cansados ou, em alguns momentos, pouco preparados para algumas atividades. Fico preocupada em estar longe, pois, talvez, estando sempre aqui, poderia tomar algumas tarefas para mim ou dar mais conselhos em como melhor proceder em algumas coisas. Me preocupo com idas ao médico, alimentação, esforços físicos, dentre outros. Algumas coisas pouco poderiam mudar, mas sempre fico naquela eterna cobrança: preciso ajudá-los, quero vê-los bem.

- Vejo minha tia tristonha, chorosa, pela recente perda da minha vó. Tenho pena dela. Parece ainda mais frágil do que era. Ainda devo tomar coragem para entrar na casa dela e ver o espaço onde ficava a cama da minha vó vazio.

- Comi vatapá de camarão na casa da minha irmã. Enchi muita bola de aniversário, ajudei na decoração, tirei fotos. Estar em família tem dessas coisas, que só fazemos quando estamos ao lado.

Nenhum comentário: