
Conhecer um lugar com uma câmera em punho é uma experiência completamente distinta da de conhecer com olhos livres. Já havia pensado sobre isso quando saía para fotografar. É uma ação que demanda sensibilidade, criatividade, disposição, prontidão. Se não há essas condições favoráveis, simplesmente saímos, sensíveis talvez a outras coisas que não estarão no ato de clicar, já que as imagens passarão por nós, instantaneamente, sem registro (quem sabe apenas na atividade mnemônica), sem medo de serem flagradas por nosso trabalho de fisgá-las. Saímos para fotografar e saímos para não fotografar. Fui tocada por este depoimento:
Todo mundo está trocando, capturando, gravando e arquivando imagens. Mas, quando vou a algum lugar hoje em dia, raramente levo uma câmera. É um jeito de não ter alguma coisa entre o mundo e eu. Talvez seja uma forma de preservar um espaço para memórias e experiências que não estão presas ao plano da imagem – nem retocadas ou recortadas. (Garry Hill, videoartista, em entrevista a Trópico).
2 comentários:
Algumas dessas frases me fazem lembrar sobre muuuitos conceitos: medium, media, realidades aumentadas e diminuídas... Mas ter uma câmera por perto é sempre bom. Ainda mais se for para uma certa expressão celular :)
*essa foto resgatou, em alguns instantes, várias lembranças das nossas aventuras-mapas-câmeras-conversas-pernas-olhares em terras desconhecidas.
bjo.
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