domingo, 19 de junho de 2011

Delay

Sinto-me cobrada por todos os lados. Inclusive por mim mesma. O que acontece quando cobranças me açoitam é que pareço não me mover. Ou, quando me movo, é como se descobrisse um prato para cobrir o outro. Não me dou muito bem com essas situações. Invento uma quinta ou sexta coisa para fazer que não seja do script.

Motivos de ordem pessoal perfuram suas atividades profissionais de tal forma que o retorno à normalidade cotidiana exige um esforço tremendo. A sensação é de delay. Pára tudo. Espera-se tudo. Ou não espera-se nada.

Semana parada para recomeçar na próxima. Será?

A viagem casa bem com essas situações. Marcada, se não quiser pagar mais para mudar, ela terá que acontecer. Ela impõe um limite, um prazo. Confio muito em prazo, data, pois ele não se move. E para que ele não nos pegue desprevinidos, precisamos nos mover. É sua lógica de funcionamento.

Tive conversas outro dia sobre os prazos que nos damos para planos. Ok, podemos dar prazos para tudo. Mas e para o que não está no script há prazo? Há limite para os desvios, as imprevisibilidades? Quando tudo está em delay, o que menos queremos é pensar no prazo. Queremos o prazer de não ter limite.

A carruagem anda, ora apressada, ora torta, ora lenta ou quase parada, até o ponto de chegada.

2 comentários:

monkey man disse...

um dos mais belos efeitos de pedais pra guitarra é o Delay, quando sabiamente usado.

Paulo Victor disse...

Admito, sem medos: delego meus prazos para agendas, post-its, softwares, lembretes no celular... Nos últimos meses mudei tanto de delegação que já nem sei qual me serve exatamente. Ora um, ora outro sistema de cobrança, mas a coisa vai fluindo. Dentre variações, uma certeza: a de que preciso externalizar o compromisso, como uma forma de expurgá-lo, vomitá-lo, e deixar que outros agentes tomem conta do andamento. Posso ser gerente de terceiros, mas não de mim mesmo. Vale um visita ao analista.