terça-feira, 26 de abril de 2011

Rotina

Já me falaram que é necessário ter rotina para sobreviver. E realmente, é. Os compromissos exercem sobre nós uma força seminal, já que, em função deles, aprendemos a ter prioridades, dividir o tempo, valorirar o tempo livre etc. Eles são professores que nos cobram todos os dias.

Por outro lado, a esperteza seria aliar rotina ao prazer, o que é bem difícil. Tenho o sentimento de que é facílimo os dias parecerem duros, maçantes, repetitivos. O segredo de encontrar prazer na repetição é que é complicado de desvendar. Até para isso, precisamos de algo que nos coloque para frente, bata em nossa cara e diga: vamos, ande e faça algo de diferente!

Sinto falta de fazer com os dias o que os montadores fazem com os filmes: tirar essa cena daqui e colocar no final, inserir aquele momento do meio no começo, expandir a duração de alguns acontecimentos, dentre outras falcatruas. A sequência inevitável do mundo "real" - do nascer ao pôr-do-sol, da segunda à sexta, do café ao jantar, por muitas vezes, leva-me a desejar escapar da sua rigidez e fazer tudo diferente, jogando a prova e a aula que tenho amanhã pelos ares. Meu lado racional, entretanto, entra em ação e diz: aquieta o facho!

Um comentário:

Paulo Victor disse...

Também estive atento à essa necessidade de rotina - é só se desvencilhar um pouco dela que já lhe sentimos a falta... Mas sempre temos um superego-produtor podando as asas do id-montador e, no final, voltamos ao nosso roteiro tradicional, desses que Hollywood necessita para sobreviver.