Dois dias no Inhotim
Arte contemporânea, paisagismo, arquitetura são palavras que andam juntas no Inhotim (Centro de Arte Contemporânea em MG, no município de Brumadinho). O lugar é muito bonito, lúdico, com possibilidades de mergulho nas obras de artistas consagrados, assim como de refúgio dos ruídos que nos perseguem na cidade grande.
Fui sozinha para lá, em meio a um grupo de desconhecidos. Nunca mais tinha feito um passeio desses só, apenas com uma câmera à tiracolo. Foi bom por um lado e ruim por outro. Bom porque é sempre bom termos liberdade de fazer nosso próprio roteiro e ruim porque é legal conversar com alguém logo depois de experimentar um lugar como o Inhotim. São muitas expressões, sensações, desilusões, que as obras passam. Quando se sai de cada galeria, damos de cara com um jardim belíssimo ou uma paisagem maravilhosa, que, muitas vezes, nos leva para longe da obra e para perto de uma contemplação da natureza. Imergi nas obras e galerias que permitiram isso. Outras, levaram-me para fora em questão de minutos.
Valeu à pena, apesar de tudo, pois pude ficar sozinha entre os prazeres e as farpas do ambiente. A interdição de não fotografar nas galerias, que, mesmo com a câmera fechada, fazia com que monitores me perseguissem, não existia nas obras a céu aberto. Sentia-me mais leve para chegar em algumas delas e arriscar até autorretratos (coisa que nunca mais tinha feito). Nesses momentos é que pude perceber que, na ausência de companhia, inventamos uma para nós mesmos.

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