Cosmopolitismos
O Rio é a cidade mais cosmopolita que já habitei. E me dou cada vez mais conta disso pelas conversas com cariocas, baianos, suecos, cearenses, paulistas, alemães, maranhenses, franceses, pernambucanos, gaúchos, mineiros etc. Há quem não queira enxergar o quão múltiplo e brasileiro esse lugar é. No fundo existe aquele velho apelo ao que é de fora, ao que é do "primeiro mundo".
É que, no Rio, existe aquele fenômeno dos apartamentos, como em qualquer outra metrópole. Deles, se não quisermos sair, pouca diferença faz o lado de fora, as possibilidades que se lançam no embate com outros. É até curioso perceber esse fenômeno do "particularismo" cujas consequências tomam conta dos discursos. Difícil cosmopolitizar o discurso quando não se cria vínculos com o que se tem ao descer do prédio.
Faz quase dois anos que moro aqui e ainda me sinto uma neófita nessa cidade. Tantos sãos seus estímulos, suas manifestações culturais, seus espaços a conhecer, suas entranhas, suas artérias das quais, aos poucos, usufruo. É muito Rio a conhecer antes mesmo de habitar um país lá fora. Aliás, se o nosso habitar aqui dentro se esforçasse mais em ver o que se expande de nós para fora, poderia ser muito mais proveitoso do que alimentar o discurso do "morar lá fora". Cosmopolitizemo-nos sem essa premissa de que o Brasil é o fim do mundo. Mundo é o que fazemos dele para além de nossos apartamentos.
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