Preciso dizer que fico muito muito muito acanhada em receber elogios. É como se eles nunca tivessem sendo dirigidos a mim, mas a outra pessoa que não corresponde a mim, mas usa meu corpo e meu nome para sê-la. Aí preciso ser a mediadora dos elogios porque eu, que sou eu, quando recebo algum, rio desconcertada e olho um pouco para o lado, como se repassasse o elogio para o invisível.
No meio acadêmico, principalmente, começamos a adquirir certos "carimbos" com os quais nos identificam. "Ah, ouvi falar que escreve bem" ou "Ah, fiquei interessada na sua pesquisa porque eu também me interesso pelo seu tema"... ou ainda "Ah, lembrei de você pois vi algo que pode te interessar". Ok, lembranças são bem vindas. O problema são os embaraços que elas provocam. O que realmente estou pesquisando? Que densidade acadêmica estou construindo? Que pensamentos saem do meu texto pelos quais quero ser lembrada? O que vêem no meu texto faz parte do que identifico de bom nele?
Percebo que estou num lugar no qual tenho uma grande interlocução e onde construiria, talvez, uma imagem intelectual da qual me aproximaria mais e até me faria fundir àquela que recebe os elogios. O que sinto, no entanto, é que ainda repasso toda a apreciação que me é destinada àquela que está às minhas costas.
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