"Quando se digita, a solidão parece que fica mais leve". Li essa frase numa entrevista com Fausto Fawcett, o homem que escreve sobre Copacabana. A frase, por sinal, faz todo o sentido no tempo em que as teclas e telas acalentam os solitários.
Curiosamente, afetada por um efeito de resistência, escrevi um pequeno postal esses dias e mandei a uma pessoa querida. Tinta, caligrafia, inclinações e pequenos borrões foram enviados para longe, justamente como forma de tornar mais acolhedoras as palavras e uma série de sentimentos. As letras ao padrão da mão e as expressões afetivas no traço da caneta pretendem, ainda que não obtenham sucesso, guardar alguma reverberação do momento da escrita.
O destinatário da palavra escrita é alvo de um exercício sofisticado de sentidos: manusear o objeto escrito, entrar no ritmo irregular das letras, pôr a locução do escritor em off - como se percebesse cada vírgula como uma respiração característica dele, ler as entrelinhas possíveis.
É no engano ou na lucidez de meus próprios sentidos que esse rebater de ideias quer aqui ser ouvido.
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